3 de fevereiro de 2009

Shattering Mirrors


Quebro um espelho,

afasto um eu outro,
purifico-me.

Carrego reflexos em meu ser,
que há muito me assustam,
onde não me reconheço.
Então os afasto
e quebro espelhos
e meu sangue que tinge os estilhaços
não me deixa esquecer que fui eu
(e por isso mesmo dói).

Busco por minha alma
como quem atravessa um deserto,
destruindo o que não lhe pertence,
caminhando, cada vez mais
leve,
perde-se em oásis,
seduzido por uma brisa
breve,
mas a sensação de ilha,
permanece.

Ser ilha, estar no deserto,
é olhar no infinito e dentro.
É o só solistência de que nos fala Rosa,
é o confronto adiado,
a revelação temida.

Mas medo do quê?
Além do espelho,
só eu me resto.

(Felipe Esteves)

Um comentário:

  1. Este é um dos meus favoritos. Talvez vc já deva ter percebido que eu adoro buscar um "ritmo" nas minhas leituras, e por conseguinte, tento dotar aquilo que escrevo de um certo ritmo. Eu adoro esse texto, pois além de ter fluido ritmicamente quase que "naturalmente" na minha leitura, é um belo texto... eu me espelho nele.

    ResponderExcluir